Resumo dos Programas

A EPIS desenvolveu, desde 2007, um modelo de capacitação para o sucesso escolar baseado num conjunto claro de princípios:

Modelo de capacitação

Sendo uma abordagem holística de capacitação em torno de cada aluno, o modelo prevê ainda, quando necessária, a capacitação da família (pais e/ou encarregados de educação), dos professores e assistentes operacionais das escolas, e a cooperação com as entidades da comunidade local que sejam chamadas a intervir em áreas fora da competência da escola e da EPIS. A metodologia EPIS assenta em três partes fundamentais:

Modelo de capacitação

Evolução dos concelhos, escolas e mediadores EPIS de 2008 a 2016

Evolução dos concelhos, escolas e mediadores EPIS de 2008 a 2016

2.º e 3.º Ciclos

De 2007 a 2010, a EPIS, em parceria com o Ministério da Educação, autarquias e empresas locais, testou e validou um projeto-piloto de capacitação para o sucesso escolar em 10 concelhos parceiros, focada em alunos que frequentavam o 3º ciclo de escolaridade, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos.

Em 2010, na fase de disseminação e internalização da metodologia, a EPIS continuou o acompanhamento da implementação do projeto nos concelhos parceiros, que pretenderam continuar no Programa Rede de mediadores para sucesso escolar, e alargou o seu âmbito de atuação a novos concelhos, tendo como objetivo uma cobertura nacional.
Já no ano letivo 2010/2011, foi lançado em piloto o projeto “Todos Bons Alunos – 2º ciclo” em Paredes, em parceria com a Autarquia e a APPIS – Associação Paredes pela Inclusão Social.

No final deste piloto, em que a EPIS procurou adaptar a Metodologia do 3º ciclo (testada desde 2007) ao 2º ciclo, numa lógica de prevenção, apoiada num maior envolvimento das famílias com a escola e numa maior participação dos diretores de turma na aplicação da metodologia, foi possível demonstrar a eficácia e importância de uma intervenção mais precoce.

Depois do acompanhamento em proximidade de 59 alunos em risco de insucesso e abandono escolares, que frequentavam o 5º ano de escolaridade no ano letivo 2010/2011, verificou-se em 2012/2013 que, à entrada no 7º ano de escolaridade, estes alunos apresentavam menos fatores de risco de insucesso em comparação com os grupos de controlo, tal como se pode ver no gráfico abaixo.

Notas no 1º período do 7º ano de escolaridade

Notas no 1º período do 7º ano de escolaridade

Desde o início do programa Mediadores para o Sucesso Escolar, a EPIS acompanhou em proximidade cerca de 18 500 alunos contribuindo para o sucesso escolar de 2 446 novos bons alunos dos 2.º e 3.º ciclos como demonstram os gráficos abaixo.

Mais sucesso escolar no 2.º ciclo

Mais sucesso escolar no 2.º ciclo

8 anos de mais sucesso escolar no 3.º ciclo 2008-2016

8 anos de mais sucesso escolar no 3.º ciclo 2008-2016

Validação dos resultados
do programa

Em Março de 2017 foi apresentado um estudo pelo Prof. Pedro Martins - Queen Mary, University of London -, que incide sobre dados de 2015 – 2016, baseado numa metodologia, a avaliação experimental, considerada o padrão ouro em termos de rigor e aceitação internacional.

A avaliação do programa resultou da comparação do desempenho escolar entre jovens sinalizados participantes e jovens sinalizados não participantes. Esta metodologia garante que, em termos médios, eventuais diferenças de desempenho entre os dois grupos possam ser atribuídas exclusivamente à participação no programa.
Quando comparados os dois subgrupos de jovens, verificou-se que aqueles que foram selecionados (aleatoriamente) para o acompanhamento pelos mediadores apresentam um desempenho escolar significativamente superior àqueles que não foram acompanhados pelos mediadores. Em termos concretos, o primeiro grupo exibe uma diferença de 4,8 pontos percentuais na percentagem de aprovações em ambos os anos. Esta diferença corresponde a um aumento de mais de 10% na probabilidade de não retenção, efeito esse resultante exclusivamente da participação plena no programa dos mediadores, como referido em cima.

Excluindo os cerca de 200 jovens que, por motivos vários, foram selecionados mas não participaram na mediação, os efeitos tornam-se ainda mais expressivos, chegando a 9.9 pontos percentuais (comparando com o valor anterior de 4.8 percentuais) ou um aumento de mais de 20% na probabilidade de não retenção em ambos os anos ou ainda um aumento de cerca de 80 jovens a não reprovar nenhum ano neste período de 2 anos.

Os resultados da EPIS são ainda corroborados por outros programas de capacitação das competências não-cognitivas nas escolas, referidos em trabalhos científicos de James Heckman (Prémio Nobel da Economia em 2000) e Tim Kautz: “Hard evidence on soft skills” (IZA discussion paper N.ª 6580), de Maio de 2012; “Fostering and Measuring Skills: Improving Cognitive and Non-Cognitive Skills to Promote Lifetime Success” (IZA discussion paper No. 8696), de Dezembro de 2014. O programa da EPIS e o estudo do Prof. Pedro Martins são referidos em ambos os trabalhos de Heckman e Kautz.

Barómetro

Ao longo dos últimos anos, a EPIS tem vindo a questionar os milhares de alunos de 3.º ciclo que têm sido acompanhados no projeto “Mediadores para o sucesso escolar”, e é a análise e comparação de resultados de 2007, 2010 e 2012 que mostra a evolução positiva na relação que os jovens alunos têm com os professores e a escola.

Consulte o Barómetro e saiba como os nossos alunos avaliam e valorizam a escola, os professores e os colegas.

Até que ano de escolaridade gostarias de estudar?

Escolaridade

Abandono ZERO

No ano letivo 2010/2011, em parceria com a autarquia de Sesimbra, a EPIS lançou o projeto-piloto “Abandono Zero” – designação que sublinha a ideia fundamental de que todos os intervenientes devem demonstrar tolerância zero perante casos de abandono ou severo risco de abandono da escola.

Numa 1ª fase, foram sinalizados nas escolas dos 6 agrupamentos do concelho de Sesimbra todos os jovens em situação de abandono escolar em anos anteriores, tendo sido desenvolvido depois um trabalho de “pesca à linha”, referenciando todos os casos de risco de abandono, situações de abandono intermitente, abandono de sala de aula e abandono efetivo. Numa 2ª fase iniciou-se um trabalho de vinculação. Após garantida a relação entre técnicos e jovens, o programa centrou-se no desenvolvimento de competências sociais e na implementação de um plano de intervenção com o aluno e/ou família, com o objetivo de trazer o jovens de volta a um percurso educativo.

Foram sinalizados 93 jovens, em Outubro de 2010, dos quais 59 foram identificados como alunos em abandono efetivo.

Entre os 59 jovens identificados, observou-se uma baixa gradual de 24, fundamentalmente por intervenção de fatores externos: medida judicial de institucionalização, emigração do agregado familiar, integração no mercado laboral, etc.

Na fase de vinculação, foram efetivamente acompanhados 35 jovens dos quais, 29 ingressaram numa medida educativa/formativa a partir de Setembro de 2011.

Destes, 17 concluíram um nível de certificação educativa/formativa através da medida PIEF, até ao Verão de 2012 e os restantes 9 alunos, no verão de 2013.

Em acompanhamento continuam 6 jovens que aguardam acesso a percurso educativo/formativo (n=3) ou inserção no Fundo de Inserção Profissional da EPIS FIP – Fundo de inserção profissional.